A sensação de estar no limite se tornou uma queixa frequente nos consultórios. Acordar exausto, viver em estado de alerta e sentir que nenhuma entrega é suficiente são sinais de que o corpo e a mente estão tentando comunicar algo. Mas o que acontece quando o descanso físico já não resolve?
Na psicanálise, o burnout e a exaustão não são vistos apenas como esgotamentos provocados pelo excesso de tarefas, mas como o sintoma de uma relação dolorosa com as próprias exigências. Vivemos em uma época que cobra uma performance ideal em todos os papéis: na carreira profissional, nas relações interpessoais e na família.
- O peso da expectativa: Muitas vezes, tomamos para nós expectativas que, na verdade, vêm do outro ou da cultura ao nosso redor. Tentar corresponder a tudo isso gera uma sobrecarga insustentável.
- A repetição do sintoma: O esgotamento se repete porque, no fundo, a forma de lidar com os limites e com a necessidade de aprovação continua a mesma.
- A saída pela fala: O processo analítico oferece um espaço de pausa. O objetivo não é ensinar o paciente a “produzir mais com menos estresse”, mas investigar por que existe a necessidade de ser infalível.
Ao escutar o que há por trás dessa sobrecarga, torna-se possível construir novas posições diante do trabalho e da vida, resgatando a autonomia para fazer escolhas que respeitem a sua singularidade.